Carlos Oliveira

Estudante de Jornalismo – Repositório de trabalhos

Arquivos para a Categoria ‘Mídia Impressa’

Olhando o Espelho dos Outros – novembro 2008

Publicado por Carlos em Agosto 12, 2009

Texto sobre o artista Ron Mueck

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Diagramação feita por mim, arte de Maria Luísa Risi

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Novos métodos, velhos crimes – junho 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Versão diagramada em pdf

Mercado da pornografia infantil cresce no meio virtual e pode despertar novos pedófilos

Por Carlos Oliveira e Fabiana Colombo

“Alguns retardados estão ameaçando me denunciar por possuir CP. Devo me preocupar”? Este é o título de um tópico num fórum virtual pouco conhecido. O autor, da Inglaterra, desabafa seu medo de ser preso por guardar materiais ilegais no computador, detalhando especificações técnicas de como está sendo perseguido por autoridades.
Mais preocupante do que o fato de CP se referir a pornografia infantil (sigla para Child Pornography) é ler inúmeras respostas de apoio ao autor do tópico, que vão de dicas sobre a legislação britânica a depoimentos de ex-profissionais da internet, que entendem o funcionamento dos rastros virtuais deixados em cada acesso à rede.
O potencial de socialização da web trouxe à tona grupos que discutem pedofilia de forma inquietante. Trocando links com fotos e vídeos, os usuários, que muitas vezes  se mantêm anônimos, reforçam o mercado de pornografia infantil.
Com a facilidade de se achar material pornográfico na internet, tornou-se muito complicado controlar os crimes que se espalham pela rede, muitas vezes de forma anônima. Para combater esse crime quase invisível, foram criadas associações como a SaferNet Brasil, que trabalha junto ao Ministério Público Federal recebendo denúncias de crimes na web, na tentativa de controlar esta prática.
Segundo a instituição, de janeiro a outubro, 76.675 denúncias foram recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Deste total, 62% eram casos de pedofilia, em que 90% do material estava hospedado no Orkut, site de relacionamento do Google e de grande audiência no Brasil.

A Pedofilia

Para a psicanálise, a pedofilia é um tipo de perversão sexual, assim como a zoofilia (atração sexual por animais), o sadismo e o masoquismo. Todas elas são enquadradas como parafilias — distúrbios sexuais que envolvem fantasias que fogem à norma. Parafilias como o sadismo e o masoquismo podem ser saudáveis, desde que praticadas com o consentimento dos envolvidos e que não sejam o único meio pelo qual a pessoa consegue atingir prazer sexual. No terreno da pedofilia, contudo, as relações são mais complicadas.
A rigor, pedofilia é a atração sexual de um adulto por crianças menores de 14 anos. Justamente por envolver menores, é muito difícil precisar o consenso bilateral numa relação pedófila, o que resulta em diferentes interpretações na Justiça de cada país. Para complicar, há o dado cultural: muitos proíbem práticas pedófilas por lei, mas abrigam um consenso social que potencializa os atos. No próprio nordeste brasileiro, por exemplo, há comunidades em que a iniciação sexual da filha deve se dar com o pai: a virgindade da garota é propriedade do genitor.
René Schubert é psicanalista e já tratou casos de pedofilia, tanto de vítimas como criminosos. Ele comenta que se deve diferenciar aqueles que vão ao ato daqueles que não vão, como é o caso dos pedófilos de internet, mas é preciso reprimir este comportamento antes que ele se torne uma ação, pois aquele que procura fotos de pornografia infantil na web possui um forte potencial de agressor. E o perigo da internet está justamente em possibilitar que o agressor surja.

A internet cúmplice

A internet da pedofilia agrega dois fatores: a facilidade de se achar vários tipos de arquivo e uma sensação de anonimato. Qualquer usuário com mínimo conhecimento e alguma curiosidade pode, com alguns cliques do mouse, acessar fotos, vídeos e depoimentos que retratam cenas pedófilas. Mesmo para aqueles que não possuem o distúrbio psicológico da pedofilia, essa situação pode servir como uma porta de entrada de um hábito pouco saudável: a banalização do outro.
A exposição contínua à pornografia infantil pode reforçar uma tendência preocupante da sociedade atual: o culto do corpo prematuro como algo sedutor e erotizado. O vício pela pornografia infantil tende a surgir aí, e pode tanto despertar traços pedófilos em quem nem imaginava os possuir, como incentivar pessoas a cometerem estes atos no mundo real.
Com tantas possibilidades que a internet traz, o mais importante é desenvolver discernimento. Sobre a proteção das crianças, Schubert recomenda o diálogo. Para o psicanalista, pode-se usar o período de afastamento (quando os pais deixam de dar banho no filho, por exemplo) para ensiná-los o valor do próprio corpo. “A criança é livre e espontânea, então se uma pessoa mal intencionada se aproveita, a criança pode entender como uma brincadeira”, informa.
Assim, a melhor forma de prevenir o abuso de menores é conversar com as crianças sobre sexualidade, para que elas possam identificar um criminoso e não ser alvos tão fáceis.

Lei Masha Allen

Masha Allen nasceu na Rússia em 1993. Aos 8 anos foi adotada por Mattew Mancuso, americano de Pittsburgh, acreditando que teria uma vida de qualidade. Por cinco anos, contudo, até Allen completar 13 anos, Mancuso abusou sexualmente dela e divulgou materiais dos atos na internet, revelando que a adotara somente para explorá-la. Autoridades do país conseguiram identificá-la em fotos, libertando-a e colocando Mancuso na prisão.
O depoimento dela revela uma das maiores sequelas na exploração da pornografia infantil: “Já que o Matthew colocou imagens minhas na internet, o abuso continua”, disse Masha à Justiça americana.  O crime virtual traz uma dimensão expositória à cicatriz, o que motivou a elaboração da lei Masha Allen, em 2006, que possibilita que vítimas de abuso cujo material tenha sido postado na internet processem os criminosos. A lei fez parte de uma maior, chamada “Adam Walsh Child Protection and Safety Act”, do mesmo ano, que prevê monitoramento constante dos criminosos como Mancuso.

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O brasileiro virtual – setembro 2008

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Internauta brasileiro é o que passa mais tempo na rede; interagir com outras pessoas e participar de redes sociais são suas preferências.

Por Carlos Oliveira, Jaqueline Ogliari e José Coutinho Júnior

A origem da internet remonta ao final da década de 1950, quando o Departamento de Defesa dos EUA formou a ARPA – Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, em inglês. O objetivo era fomentar a computação interativa, de modo a promover a pesquisa acadêmica e garantir a supremacia militar no pós-guerra. Essa integração entre computadores foi atingida mediante sucessivas inovações tecnológicas, que acabaram por criar o conceito de rede, presente até hoje.

No começo de 1990, a Arpanet, rede da ARPA, já estava obsoleta e foi retirada de operação. Diversos provedores, muitos usando a estrutura da ARPA, começaram a montar suas próprias redes, germinando o que viria a ser a internet como a conhecemos hoje: a rede mundial de redes. A internet, em sua origem, sempre prezou por uma arquitetura descentralizada – que, inclusive, possibilita o seu funcionamento. Isso ajudou na sua disseminação em outros países, incluindo o Brasil.

Em 1991, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) brasileiro lançou um projeto que criou a RNP (Rede Nacional de Pesquisas), que tinha como objetivo implantar a internet no Brasil, a fim de conectar diversos centros de pesquisas do governo e universidades. Em 1994, a rede já abrangia mais de 400 instituições de pesquisas de 21 estados diferentes do país, além de contar com um total de 60 mil usuários, todos pertencentes ao setor acadêmico. A rede ficou restrita ao meio acadêmico até 1995, quando o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia resolveram criar um modelo mais abrangente de internet, que permitisse o uso da rede por todos os setores da sociedade. Cria-se, em parceria com a EMBRATEL, o primeiro servidor WWW (World Wide Web) do país.

De 1995 até hoje, a internet no Brasil se encontra em plena expansão. Dos 135 milhões de usuários da América Latina, 50 milhões são brasileiros. Pesquisas realizadas pelo I.T.U. (Comitê Internacional de Comunicação, em inglês) e pelo Nielsen Net/Ratings indicam que 26,1% dos internautas brasileiros terão acesso à internet em suas casas até o final de 2008. Apesar do aumento, o Brasil ainda continua atrás de países como Estados Unidos e França, que têm 72,5% e 58,1% de seus usuários com internet em casa, respectivamente. Mesmo assim, somos o país que passa mais tempo na internet. O brasileiro passa, em média, 23 horas e 12 minutos conectado à rede por mês, enquanto que França e Estados Unidos passam 20 e 19,3 horas, respectivamente, no mesmo período. Isso representa 11,6 dias de internet por ano para os brasileiros.

O perfil do internauta brasileiro – O que faz com que o brasileiro goste tanto de navegar na internet, a ponto de ficar mais tempo na rede do que os americanos? Para Rosa Maria Farah, professora da PUC-SP e coordenadora do NPPI – Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática, “não há dados concretos sobre isto. Temos lendas acadêmicas de que o brasileiro é um povo que tem prazer no contato, é mais extrovertido e lúdico, mas não passa de uma observação. Mas o que existe de fato é uma presença maciça do público brasileiro na internet”. O site Alexa realizou um estudo no qual apresenta os 100 sites mais acessados pelos brasileiros. Os cinco sites mais visitados por usuários da rede (Orkut, Google, Windows Live, UOL e YouTube) indicam que os principais interesses do brasileiro na internet são participar de redes sociais, informar-se e interagir com outras pessoas, seja através de e-mails, troca de conteúdos,  jogos on-line ou pelo comunicador Messenger – programa que tem 11% de seus usuários no  Brasil; somos o país que mais usa o Messenger (por volta de 30,5 milhões de pessoas o utilizam). Segundo Alexandre Jungermann, coordenador de marketing do portal UOL, “a oferta de conteúdo (notícias), serviços (comércio eletrônico) e ferramentas (redes sociais) tornam a Web extremamente atraente para o brasileiro”. É difícil encontrar um brasileiro que utilize regularmente a internet e não tenha sua página pessoal no site de relacionamentos Orkut. Estatísticas do site indicam que pelo menos 51% dos usuários do Orkut são do país. Esse número, no entanto, não corresponde à realidade, pois existem muitos usuários que mentem em relação à nacionalidade, por isso é inegável que a ampla maioria das contas no site são de brasileiros.

Os portais, por sua vez, apresentam desde as notícias do dia a informações específicas sobre determinado assunto (música, jogos, esportes, entre outros). O UOL, portal mais acessado do país e que conta com 1,74 milhões de assinaturas, teve mais de 16,5 milhões de visitantes no mês de agosto de 2008. Os diversos canais, criados para atender às demandas  de todo tipo de usuários, são responsáveis por grande parte dos acessos aos portais: cada canal é visitado por pelo menos 1,5 milhão de usuários todo mês.

Uma atividade ainda incipiente, ao menos no Brasil, é a compra pela internet. Um estudo de 2007, encomendado pela Visa e realizado pela AmericaEconomia Intelligence na América Latina e Caribe (ALC), apontou 7 milhões de internautas, ou 3,7% da população brasileira, como compradores de produtos pela internet. Houve no ano da pesquisa movimento de US$ 4,89 bilhões, o maior da América Latina; nos Estados Unidos, os números totalizaram cerca de US$ 120 bilhões, segundo o U.S. Census Bureau. A cifra brasileira já é significativa, mas, como essa movimentação foi 116% maior do que 2006, pode-se esperar um montante ainda mais significativo em 2008.

Segundo pesquisa do IBOPE/NetRatings, 52% dos internautas brasileiros são homens e 48% mulheres. Quanto à escolaridade, 35% dos usuários cursam ou cursaram o ensino fundamental, 28% o ensino superior e 23% o ensino médio. As faixas etárias que mais acessam a rede vão dos 12 aos 17 anos (18%) e dos 25 aos 49 anos (42%). A relação entre classe social e acesso à internet se mostra clara no Brasil: 82% dos membros da classe alta têm conexão de rede em casa, ao passo que apenas 4% da classe E têm o mesmo tipo de conexão. Devido ao alto custo para se manter uma conexão de alta velocidade, as classes mais baixas geralmente só usam a internet através de lan houses ou de centros comunitários.

Inclusão digital – Ao mesmo tempo em que vemos a quantidade de pessoas que acessam a internet crescer – ainda que muitos usem centros comunitários, escolas ou lan houses – notamos que o número de internautas brasileiros ainda é pequeno. Algumas pessoas nunca usaram o computador, quanto mais acessaram a rede, porque não têm condições de comprar um e em suas cidades quase não existem pontos de acesso. Ainda que pareça desnecessária a discussão sobre inclusão digital, já que existem problemas maiores atormentando a sociedade, como a violência, o desemprego e a saúde, o acesso à internet restrito aos que têm maior poder aquisitivo demonstra de forma gritante a desigualdade entre as pessoas. Constam nos dados da WBI Brasil que, em abril de 2008, as classes A e B (27,6 milhões de pessoas) perfaziam 50% do número de internautas, enquanto que a classe E quase não possuía participação significativa (vide gráficos).

Tais números apontam para a necessidade de se pensar em políticas públicas de inclusão digital, em que mais pessoas possam ter acesso à tecnologia e, ao usufruir dela, poderem melhorar como cidadãs. No entanto, como fazer com que os demais brasileiros sem um computador por perto possam ser incluídos no mundo digital?

Inclusão digital não é um conceito tão óbvio. Implica usar a tecnologia para promover melhores condições de vida à população. Assim, ser incluído digitalmente não significa necessariamente ter um computador com acesso à internet e visitar sites de relacionamento ou de diversão. A inclusão digital é, principalmente, a possibilidade de aproveitamento do computador e das mídias digitais como instrumento de cidadania, de tal modo que as pessoas possam produzir conhecimento e participar ativamente da sociedade a partir da internet.

Há ainda mais fatores que complicam o conceito. Segundo Eugênio Trivinho, professor da PUC-SP e vice-coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica, em debate na Semana de Jornalismo da PUC-SP em maio de 2008, a inclusão digital sempre será um problema porque a lógica da tecnologia é a lógica da exclusão; a constante reciclagem de softwares e hardwares contribuiria para a desigualdade entre os que têm a mais avançada tecnologia e aqueles que usam computadores e equipamentos sucateados, excluindo-se dos demais. Há com o que se concordar da análise de Trivinho, mas mesmo não utilizando computadores de última geração, e sim tecnologia suficiente para incluir o cidadão no mundo digital, é válido pensar em políticas públicas que promovam melhores condições às pessoas.

Em algumas pequenas cidades brasileiras, há pontos de acessos gratuitos bem sucedidos e que beneficiaram a educação desses municípios. Sud Menucci, cidade do interior de São Paulo, com 7,5 mil habitantes, foi a primeira do país a disponibilizar o acesso Wi-Fi (sem fio) para todos os seus moradores, e conseguiu reduzir à metade o número de analfabetos desde 2003, quando a conexão foi implantada. Cerca de 50% dos domicílios estão conectados à internet, e a cidade se sente mais integrada com o resto do mundo embora ainda seja tão pequena. Em Quissamã, interior do Rio de Janeiro, os 15 mil habitantes têm acesso à Web por meio do projeto Internet Cidadão, com conexão feita através de ondas de rádio sem depender de linha telefônica, por meio de torres de transmissão ao longo da cidade. Aos que não têm computador, há instalados os telecentros, chamados Quissanets, em bairros mais populosos e nas zonas rurais. Medidas como estas podem ajudar no desenvolvimento do ensino e facilitar as pesquisas dos estudantes, melhorando seu desempenho nas escolas.

A internet é utilizada pelo brasileiro principalmente para o seu lazer (sites como o Orkut ou o programa Messenger); para muitas pessoas, porém, a rede é um meio de obter conhecimento para que possam melhorar de vida. Iniciativas como a criação de centros comunitários e a diminuição do custo da conexão de banda larga são importantes para integrar as pessoas de baixa renda, pois apesar da grande quantidade de usuários, a internet ainda é utilizada principalmente por pessoas com renda alta. É necessário que todos os setores da sociedade tenham um amplo acesso à internet, e que aprendam a usar a rede de forma correta, tanto para o lazer como para agregar conhecimento.

O impacto da internet nos jornais e na televisão

A internet é um veículo único de comunicação, pois permite ao usuário interagir e criar conteúdo (os blogs, que possibilitam a divulgação e o debate de textos de internautas, e sites como o YouTube, no qual os usuários podem disponibilizar vídeos feitos por eles próprios para que todos vejam, são exemplos disso). No entanto, essa grande quantidade de informações torna a rede caótica: muitas das informações encontradas são superficiais, ao apenas contarem um fato sem contextualizá-lo na realidade social e política da sociedade, e outras informações são falsas. Segundo o jornalista Lourival Sant’Anna, “A internet é estímulo para saber mais. Ela funciona como um teaser, que deixa um gosto de ‘quero mais’. O rádio e a TV também fazem isso. Então, na manhã seguinte, devemos dizer ao leitor o que é verdade, o que é importante e o que significa (a notícia)”.

Os jornais, porém, ainda não estão cumprindo esta função; como afirma Santa’Anna em seu livro O destino do jornal (270 pp., Editora Record, Rio, 2008), “o jornal ainda está muito mais estruturado para contar ‘o quê’ do que para explicar ‘por quê’”. A forma da notícia, portanto, ainda é tão superficial quanto a apresentada na internet. A televisão também não escapa do cenário complexo: a internet atrai telespectadores, com sua maior gama de escolhas na programação, mas ainda exige uma conexão veloz – portanto, investimento financeiro. No meio termo, a TV digital é uma tentativa no sentido de oferecer alguma interatividade da rede na televisão. Para que os jornais não percam seu espaço para a internet, é preciso que tanto os jornalistas quanto os próprios jornais percebam que o seu papel é o de contextualizar as informações, dando condições ao leitor compreender a relevância dos acontecimentos no meio de tantas informações.

Publicado no Contraponto

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A crítica da mídia no Brasil, maio de 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Ideias recolhidas em apresentação-palestra de Eugênio Bucci

A mídia brasileira, a obrigatoriedade do diploma, os grandes pólos comunicacionais e o como construir uma crítica consistente foram pauta de conversa com Eugênio Bucci, jornalista, no dia 22 de abril de 2009.

Formar uma crítica coerente e madura do atual cenário da comunicação brasileira requer a proposição de alternativas, do contrário a crítica não pode evoluir para mudança. É no que acredita Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007 e atual professor da USP. Um passo positivo no sentido dessa contraposição seria despersonalizar pessoas e entidades (tais como donos de grandes emissoras e redações) como mantenedores estritos de uma ordem social injusta.

Bucci crê, para além da inviabilidade de culpa de agentes isolados, que os monopólios no setor da comunicação se devem a falta de leis e fiscalização. Faltas essas que abrangem a indefinição do tamanha máximo de oligopólios na Constituição nacional.

A dinâmica entre a atividade jornalística e a assessoria de imprensa – dinâmica esta especialmente rica no Brasil – traz à pauta também o debate sobre a obrigatoriedade do diploma para o curso de Jornalismo (exclusividade do país).

O professor não credita mais ou menos dignidade a nenhuma das duas profissões. Por outro lado, é mais assertivo quanto à exigência do documento: para Bucci o  que importa, de fato, seja na discussão da obrigatoriedade, seja num debate mais amplo, é a qualidade (ou falta de) das graduações em Jornalismo. Desse modo, a discussão sobre a obrigatoriedade (que é, no limite, binária: sim ou não) seria menos importante do que a avaliação da qualidade da formação em si: “como estão sendo formados os futuros jornalistas” ao invés de “eles terão diploma?”.

Sobre a relação mídia-Estado, Eugênio Bucci é categórico: acredita que o último não deveria, em hipótese alguma, servir-se de serviços de anúncio. O professor também lembrou temas clássicos, mas nunca desinteressantes, no debate sobre a profissão. Ele retomou a volatilidade do conceito de verdade na profissão, não esquecendo que o que nós jornalista dizemos ser a verdade muitas vezes está atrelado a uma conjuntura específica.

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