Carlos Oliveira

Estudante de Jornalismo – Repositório de trabalhos

Arquivos para a Categoria ‘Faculdade’

Olhando o Espelho dos Outros – novembro 2008

Publicado por Carlos em Agosto 12, 2009

Texto sobre o artista Ron Mueck

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Diagramação feita por mim, arte de Maria Luísa Risi

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Novos métodos, velhos crimes – junho 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

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Mercado da pornografia infantil cresce no meio virtual e pode despertar novos pedófilos

Por Carlos Oliveira e Fabiana Colombo

“Alguns retardados estão ameaçando me denunciar por possuir CP. Devo me preocupar”? Este é o título de um tópico num fórum virtual pouco conhecido. O autor, da Inglaterra, desabafa seu medo de ser preso por guardar materiais ilegais no computador, detalhando especificações técnicas de como está sendo perseguido por autoridades.
Mais preocupante do que o fato de CP se referir a pornografia infantil (sigla para Child Pornography) é ler inúmeras respostas de apoio ao autor do tópico, que vão de dicas sobre a legislação britânica a depoimentos de ex-profissionais da internet, que entendem o funcionamento dos rastros virtuais deixados em cada acesso à rede.
O potencial de socialização da web trouxe à tona grupos que discutem pedofilia de forma inquietante. Trocando links com fotos e vídeos, os usuários, que muitas vezes  se mantêm anônimos, reforçam o mercado de pornografia infantil.
Com a facilidade de se achar material pornográfico na internet, tornou-se muito complicado controlar os crimes que se espalham pela rede, muitas vezes de forma anônima. Para combater esse crime quase invisível, foram criadas associações como a SaferNet Brasil, que trabalha junto ao Ministério Público Federal recebendo denúncias de crimes na web, na tentativa de controlar esta prática.
Segundo a instituição, de janeiro a outubro, 76.675 denúncias foram recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Deste total, 62% eram casos de pedofilia, em que 90% do material estava hospedado no Orkut, site de relacionamento do Google e de grande audiência no Brasil.

A Pedofilia

Para a psicanálise, a pedofilia é um tipo de perversão sexual, assim como a zoofilia (atração sexual por animais), o sadismo e o masoquismo. Todas elas são enquadradas como parafilias — distúrbios sexuais que envolvem fantasias que fogem à norma. Parafilias como o sadismo e o masoquismo podem ser saudáveis, desde que praticadas com o consentimento dos envolvidos e que não sejam o único meio pelo qual a pessoa consegue atingir prazer sexual. No terreno da pedofilia, contudo, as relações são mais complicadas.
A rigor, pedofilia é a atração sexual de um adulto por crianças menores de 14 anos. Justamente por envolver menores, é muito difícil precisar o consenso bilateral numa relação pedófila, o que resulta em diferentes interpretações na Justiça de cada país. Para complicar, há o dado cultural: muitos proíbem práticas pedófilas por lei, mas abrigam um consenso social que potencializa os atos. No próprio nordeste brasileiro, por exemplo, há comunidades em que a iniciação sexual da filha deve se dar com o pai: a virgindade da garota é propriedade do genitor.
René Schubert é psicanalista e já tratou casos de pedofilia, tanto de vítimas como criminosos. Ele comenta que se deve diferenciar aqueles que vão ao ato daqueles que não vão, como é o caso dos pedófilos de internet, mas é preciso reprimir este comportamento antes que ele se torne uma ação, pois aquele que procura fotos de pornografia infantil na web possui um forte potencial de agressor. E o perigo da internet está justamente em possibilitar que o agressor surja.

A internet cúmplice

A internet da pedofilia agrega dois fatores: a facilidade de se achar vários tipos de arquivo e uma sensação de anonimato. Qualquer usuário com mínimo conhecimento e alguma curiosidade pode, com alguns cliques do mouse, acessar fotos, vídeos e depoimentos que retratam cenas pedófilas. Mesmo para aqueles que não possuem o distúrbio psicológico da pedofilia, essa situação pode servir como uma porta de entrada de um hábito pouco saudável: a banalização do outro.
A exposição contínua à pornografia infantil pode reforçar uma tendência preocupante da sociedade atual: o culto do corpo prematuro como algo sedutor e erotizado. O vício pela pornografia infantil tende a surgir aí, e pode tanto despertar traços pedófilos em quem nem imaginava os possuir, como incentivar pessoas a cometerem estes atos no mundo real.
Com tantas possibilidades que a internet traz, o mais importante é desenvolver discernimento. Sobre a proteção das crianças, Schubert recomenda o diálogo. Para o psicanalista, pode-se usar o período de afastamento (quando os pais deixam de dar banho no filho, por exemplo) para ensiná-los o valor do próprio corpo. “A criança é livre e espontânea, então se uma pessoa mal intencionada se aproveita, a criança pode entender como uma brincadeira”, informa.
Assim, a melhor forma de prevenir o abuso de menores é conversar com as crianças sobre sexualidade, para que elas possam identificar um criminoso e não ser alvos tão fáceis.

Lei Masha Allen

Masha Allen nasceu na Rússia em 1993. Aos 8 anos foi adotada por Mattew Mancuso, americano de Pittsburgh, acreditando que teria uma vida de qualidade. Por cinco anos, contudo, até Allen completar 13 anos, Mancuso abusou sexualmente dela e divulgou materiais dos atos na internet, revelando que a adotara somente para explorá-la. Autoridades do país conseguiram identificá-la em fotos, libertando-a e colocando Mancuso na prisão.
O depoimento dela revela uma das maiores sequelas na exploração da pornografia infantil: “Já que o Matthew colocou imagens minhas na internet, o abuso continua”, disse Masha à Justiça americana.  O crime virtual traz uma dimensão expositória à cicatriz, o que motivou a elaboração da lei Masha Allen, em 2006, que possibilita que vítimas de abuso cujo material tenha sido postado na internet processem os criminosos. A lei fez parte de uma maior, chamada “Adam Walsh Child Protection and Safety Act”, do mesmo ano, que prevê monitoramento constante dos criminosos como Mancuso.

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Do Subprime ao Mundo – novembro 2008

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

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Por Carlos Costa e Lyvia Squadrans

Iniciada em 2007, a Crise do Subprime foi o epicentro da crise que agora atinge os mercados do mundo inteiro e que gera dúvidas sobre o rumo da economia global.

Subprime

O setor imobiliário dos Estados Unidos passou por um boom nos últimos anos. Depois dos atentados terroristas ao World Trade Center, em 2001, houve um grande aumento da oferta de crédito disponível. Isso somado à alta desenfreada do consumo trouxe aumento da demanda no setor: o valor das casas americanas aumentou 124% entre 1997 e 2007.

Esse período, de muita confiança no crédito e muitas dívidas, contou com dois novos agentes. Clientes sem comprovação de renda e com mal histórico de crédito (inadimplência) passaram a tentar comprar imóveis e credores viram nestes um meio de rápido ganho. Acreditava-se que os clientes poderiam refinanciar as dívidas a longo prazo, visto que o valor dos imóveis subia e as taxas de juros eram baixas. Ao crédito hipotecário concedido a esses clientes de risco deu-se o nome de Subprime – em oposição ao prime, de primeira linha, crédito a clientes com histórico positivo. No empréstimo Subprime, as taxas de concessão são pós-fixadas – determinadas no momento do pagamento das dívidas -, deixando evidente o peso da confiança envolvida na transferência de crédito.

A concessão Subprime é a ponta extrema do endividamento familiar nos EUA. Em 2007, as famílias americanas gastavam 800 bilhões de dólares a mais do que elas realmente tinham. Para Antonio Corrêa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP, “O quadro de liquidez internacional [anterior à crise] incentivou a tomada de recursos a juros reais baixos, muitas vezes negativos, para especular em fundos de mercados imobiliários e de capitais”.

Entre 2006 e 2007, o valor dos imóveis nos EUA passou a baixar. A taxa de juros fez o movimento inverso e subiu de 1% ao ano, em 2003, para 5,25% em 2007. Não por acaso, no início de 2007 foi detectada alta inadimplência no segmento dos Subprime.

A crise

O endividado não conseguiu pagar sua dívida inicial e entrou-se no chamado efeito cascata, credor após credor viu-se inseguro quanto aos empréstimos que fez. Bancos que tinham comprado títulos lastreados na Subprime registraram fortes prejuízos.. Grandes do setor de hipotecas, como a Fannie Mae e Freddie Mac, sentiram forte efeito da crise. Em outubro de 2007, essas duas empresas, juntas, valiam US$ 100 bilhões. Em setembro de 2008, precisaram ser estatizadas para não falirem.

Como conseqüência, todo o mercado passou a ter medo de emprestar e comprar os Subprime, o que gerou uma crise de liquidez (retração de crédito) e a quebra de grandes bancos americanos, como o Lehman Brother, quarto maior banco de investimentos do pais. Os gigantes Merril Lynch e Bear Stearns foram vendidos ao Bank of America e JPMorgan Chase, respectivamente. E o clima não é de otimismo. Jaret Seiberg, analista da Stanford Financial, disse ao The New York Times que acredita que em 2009 mais de cem bancos falirão nos EUA.

A AIG, maior seguradora dos EUA, apostou pesado em títulos lastreados em empréstimos Subprime. Com a inadimplência nos financiamentos, o valor desses papéis caiu. Até setembro de 2008, seu prejuízo superou US$ 18 bilhões. A crise de confiança, revelada no segmento dos Subprime, reverberou nos demais setores.

A crise de liquidez no sistema financeiro acarreta num mundo de incertezas. O dinheiro pára de circular, quem possui recursos sobrando não empresta e quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem o forneça. Para socorrer os mercados financeiros e garantir que eles tenham dinheiro para emprestar, os principais bancos centrais do planeta, o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão, intervieram, liberando bilhões de dólares em recursos aos bancos.

Teme-se que, com menos crédito disponível, caia o consumo e diminua o crescimento das economias. Isso contribuiu para o arrefecimento da compra de automóveis nos Estados Unidos, o que chegou a fazer a General Motors anunciar que precisa de crédito para continuar operando. O título de uma matéria do The New York Times sintetiza muito bem como ficam as importações no mundo capitalista global com retração de crédito: “A Sea of Unwanted Imports” (“Um Mar de Produtos Importados Indesejados”).

Segundo Lacerda, “A crescente interdependência entre os países amplia o desafio dos bancos centrais e dos órgãos multilaterais para a gestão da ordem econômica”. Um exemplo concreto são os três maiores bancos da Islândia, Glitnir, Landsbanki e Kaupthing, que foram estatizados no fim de setembro numa tentativa de proteger a economia nacional. Estados no mundo inteiro recorrem, em alguma medida, à injeção de crédito, seja diretamente às empresas e instituições (o chamado bailout), seja na liquidez da circulação – o que fomenta o consumo e, como conseqüência, ajuda os produtores.

Embora seja muitas vezes comparada à crise 1929, há divergências entre os economistas em relação à crise atual ser mais amena ou pior do que a chamada Grande Depressão. Lacerda situa-se no primeiro grupo, ressaltando que o atual estágio da globalização traz consigo o “efeito contágio entre os vários mercados internacionais” mas defendendo que “os governos estão mais atentos, tomando medidas para amenizar a crise”.

No Brasil

Como a crise dos EUA, principal potência econômica, provoca aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeitas a oscilações, e aplicar em investimentos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano. “É a ‘fuga para a qualidade’ que ocorre nos momentos de crise, com o mercado buscando ativos mais seguros e de elevada liquidez”, diz Lacerda.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo sofre grandes quedas, o valor do dólar voltou a subir e o crédito internacional ficou mais difícil de se obter. Para Lacerda, há um relativo consenso de que a economia brasileira tenha hoje uma condição de defesa muito melhor do que no final dos anos 1990. “De fato, a redução da dívida externa líquida, o superávit em conta corrente do Balanço de Pagamentos e a acumulação de reservas cambiais representam uma verdadeira blindagem em momentos de turbulência. Se esses fatores não nos tornam imunes às conseqüências da crise, eles colaboram para minimizar os seus efeitos” acrescenta o economista em relação aos efeitos da crise no país. Ele acredita, ainda, que, apesar de terem mais peso na economia, “os países em desenvolvimento não estarão imunes à crise. O impacto imediato será uma redução do crescimento”.

Os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender, os preços dos papéis caem. Estima-se em mais de US$ 500 bilhões as perdas do mercado financeiro. “O comportamento futuro da economia depende fundamentalmente das decisões de política econômica no centro nervoso da economia mundial, assim como das decisões dos agentes econômicos, empresários e consumidores, em reação à crise e às medidas econômicas. Suas reações serão determinantes para definição do cenário futuro, assim como todos estarão atentos aos passos do FED e dos demais bancos centrais importantes”, acrescenta o professor da PUC-SP.

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Limites entre a crítica e o entretenimento no Midiativismo – junho 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Meu pai associa o que faz (…) a uma aventura no absurdo, um conto de fadas adulto em que ele envolve sua plateia emocional e intelectualmente. Ao invés de serem transeuntes passivos, as pessoas tornam-se participantes ativos. Eles têm que decidir por si mesmos o que está acontecendo e o que se devem aprender da experiência.” (Jenny Abel, sobre seu pai, Alan Abel, no documentário Abel Raises Cain[1])

As palavras do idioma inglês prankster e hoaxer são de difícil tradução por duas razões. Primeiramente, há poucos sinônimos – entre eles “pregador de peças”. Em segundo lugar, podem dizer respeito a, mais do que um conceito ou uma brincadeira, um método de intervenção que consiste em mexer com a tênue linha que separa crítica e diversão. Se há uma terceira razão, ela pode ser a incapacidade da ferramenta tradutora do Google em verter os vocábulos para o Português Brasileiro[2].

Em consonância com a tal tradução, Joey Skaggs e Alan Abel são pessoas cuja atuação é difícil de categorizar. Figuras públicas, os estadunidenses são famosos (ou infames) por colocar a mídia em posições delicadas ao incitar o interesse jornalístico com pistas falsas.  Em 1995, Skaggs criou o personagem Baba Wa Simba, um suposto terapeuta da “terapia do rugido”, convidando jornalistas a portarem-se como leões de modo a aumentar a auto-estima. Os pobres profissionais, no afã de realizar uma matéria consistente para seus veículos, submeteram-se ao ridículo. Mal sabiam que não havia o prestígio profissional, e sim somente o ridículo: não só apareceram na televisão rugindo como leões como foram vítimas de um personagem criado, revelando a falta de checagem por parte dos seus veículos (e por que não dizer, de sua própria atuação profissional).

Alan Abel, no começo da década de 90, contratou seu amigo Paul Hiatt para fingir tentar vender um rim e um pulmão numa suposta tentativa desesperada para ganhar dinheiro. O misterioso Tom, o personagem, foi foco de uma reportagem televisiva. Motivado pela discussão sobre a falta de doadores de órgãos, em voga no período, Abel fez o que Skaggs também fez (e faz) magistralmente: trouxe à tona um debate sensível e pertinente e, concomitantemente, criticou a mídia, que se mostrou despreparada. As a(tua)ções de Abel e Skaggs são uma variação de performances em que o privado interfere no público. Quando artísticas e lúdicas, os artistas invadem, de forma educada ou não, o espaço da platéia, que é obrigada a repensar o sentido da interação que está acontecendo.

São exemplos de Midiativismo porque usam justamente a mídia como recurso principal. Na contramão das reflexões simplistas sobre a mídia, em que esta é demonizada, o bom Midiativismo percebe que o conjunto de veículos midiáticos pode – e deve – ser ferramenta de crítica, ainda mais quando o objeto criticado é a própria mídia. Prova primeira dessa verdade é o uso da internet e das ferramentas virtuais pelos zapatistas, em que “teve início uma ocupação da esfera virtual cujos desdobramentos foram decisivos para a continuidade do movimento”[3], reflexão que merece aprofundamento em um trabalho dedicado ao tema.

A reflexão necessária que essas performances incitam é: qual o limite entre o entretenimento e a crítica no Midiativismo? Quando a invasão do espaço privado no público ultrapassa esses limites? Como toda pergunta que norteia um tema importante e dinâmico, a resposta é necessariamente uma discussão contínua, nunca monossilábica. Um elemento premente, contudo, é: quem aparece mais.

Ao se lidar com a mídia, é importante pensar em quem ou o quê está no centro da pauta. As performances supracitadas brincam justamente com isso, prevendo e subvertendo a pauta, colocando a mídia justamente no centro da discussão. Um indicativo de quando o limite foi cruzado é quando o centro da pauta torna-se não a mídia, não a crítica, mas o performer em si.                               Joey Skaggs é um exemplo de pessoa que transita entre os extremos: ele faz performances que colocam, por exemplo, o veículo televisivo em ênfase, para depois revelar seus truques e aparecer. Isso acontece porque Skaggs é um showman. Mas esse jogo midiático é tão forte em sua pessoa que tornou-se seu estilo, sua assinatura, o que pode desvalidar a reflexão do limite. Para resolver o impasse, nada melhor do que lembrar de Remi Gaillard.

Gaillard é um francês que ficou notório pelo Youtube, em um vídeo 2007 que ensinava uma maneira de conseguir refeições de graça no McDonald’s, ao manipular a fila de espera do sistema de Drive Thru. A fama acumulou-se exponencialmente com vídeos como o em que veste-se de jogador de futebol e infiltra-se no time da França no final de um campeonato nacional. Remi, “O Impostor”, segura a taça, encosta no então presidente e dá autógrafos. Em outros vídeos, decide tirar férias nas ruas de Paris, acampando em frente ao Rio Sena e nadando em fontes públicas. Não poderia deixar, também, de impersonar Rocky em um supermercado, apropriando-se da esteira do caixa para exercitar-se e invadindo sorrateiramente o freezer do departamento de carnes para treinar seus ganchos.

É importante lembrar e situar o performer Remi Gaillard porque ele ultrapassa limites com tamanha intensidade que chega a ser caricatural. Se é um performer que sabe usar a mídia para veicular suas ações, que reforçam constantemente a invasão do privado no público, não é um midiativista porque qualquer possível reflexão de seus atos perde-se no humor e qualquer crítica dilui-se em sua imagem, que é sempre o foco. Prova maior desse desprendimento crítico é justamente a intenção de Gaillard: aparecer.

Com o extremo exemplificado, fica mais fácil pensar em ações que procuram – e conseguem – equilibrar-se no tal limite do Midiativismo. Se Joey Skaggs alterna a atenção entre a mídia e si mesmo e Remi Gaillard sempre corre para o holofote, os Yes Men fazem um jogo mais interessante: deslizam a atenção da mídia para certas grandes organizações, comprometendo a imagem tanto dos veículos jornalísticos como das empresas de grande porte.

Um dos mais famosos atos do grupo é pertinente para esta reflexão: quando do vigésimo aniversário do Desastre de Bhopal – evento em que cerca de 25 mil pessoas morreram e centenas de milhares foram prejudicados por pesticidas tóxicos liberados pela empresa Union Carbide na cidade indiana –, os Yes Men montaram um site falso da Dow Chemical, que comprara a Union Carbide, com informações obviamente falsas. Seguindo com a pressão, Andy Bichlbaum, do grupo, passou-se por um assessor da Dow Chemical e, ao vivo no canal BBC World, alegou que a Dow planejava liquidar a Union Carbide e investir 12 bilhões de dólares na saúde dos que foram afetados em Bhopal.

Enquanto Remi apareceu no Youtube e fez rir e Skaggs apareceu na TV e fez pensar, os Yes Men agiram politicamente, colocando a Dow Chemical em uma situação extremamente sensível. Transcenderam, portanto, o limite entre o humor e a reflexão no Midiativismo para realizar uma ação política concreta, não deixando de aparecer um pouco.

Um elemento em especial que faz do Midiativismo um tema interessante é que ele não só retrata a realidade (o que o torna bom objeto de estudo) como teima em alterá-la, da forma a mais criativa o possível. Desse modo, o assunto involve uma complexidade que faz qualquer reflexão carecer de base artística, jornalística e tecnológica para ser, no mínimo, fundamentada. Isso não implica, contudo, um tema de impossível aproximação, sendo importante, sim, estudar as incursões midiativistas com uma perspectiva crítica.


[1] Vídeo do youtube “ABEL RAISES CAIN – TRAILER”. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=d_8sgECu_Yg. Acesso em 02/07/09

[2] Tentativa no site http://www.google.com.br/language_tools?hl=pt-BR em 02/07/09

[3] MIELI, Silvio. Contexto Histórico/Aurora do Midiartivismo.  p.3

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Vigiar e Servir – maio de 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

“Utilizamos os cookies para melhorar a qualidade do nosso serviço, armazenando as preferências do usuário, melhorando os resultados das pesquisas e a seleção de anúncios e rastreando as tendências dos usuários, como, por exemplo, como as pessoas pesquisam” ( Trecho da Política de Privacidade do Google[1])

A organização da internet e o Google

O modo como a internet se organizou neste começo de século compreende um constante conflito entre a centralização e descentralização. A despeito dos intuitos militares, a concepção embrionária da web passou por mãos geograficamente separadas.

Isso se deve, é forçoso dizer, por mérito de pesquisadores eminentes, contudo revela algo estrutural: a rede, como o próprio nome já explicita, é uma trama de pontos, com localização e relevância díspares.

Esses pontos, muitas vezes microrredes, abalam qualquer tentativa de concentração de tráfego e representam uma hierarquia cumulativa em que pode-se ver tantas ramificações quanto próximo é o olhar. Não à toa – longe disso-, Manuel Castells utiliza a metáfora da galáxia para representar a internet[2].

Ainda que passado meio século desde seus primeiros passos, a internet ainda apresenta grandes dúvidas no começo do século XXI. Embora a técnica tenha acompanhado o desenvolvimento da infra-estrutura, com profissionais lendo as entranhas mecânicas das máquinas tão bem como psicólogos leem mentes (com a exceção dos computadores serem mais previsíveis), outras áreas são mais complexas. Dentre essas, situa-se a monetização: o cerne da discussão

Isso é verdade tanto para aqueles que veem na internet uma ferramenta para o estabelecimento de poder como para aqueles que veem nela um potencial de emancipação. Numa incômoda posição, difícil de ser classificada, encontra-se o Google, certamente a mais importante corporação no que tange à web e seus softwares. De um lado, ele facilita e agiliza o acesso a dados, em múltiplas plataformas, do mundo inteiro para a grande maioria dos países. Por outro lado, encontra-se como monopolizador desse serviço, lugar necessariamente de tensão na rede.

O questionamento é caricatural, mas importante: se o Google promovesse uma hiperbólica brincadeira do dia 1º de abril e desligasse seu servidores por alguns minutos, o que seria do mundo? A resposta é bem menos divertida, pois muitos usuários da internet utilizam serviços hospedados e/ou relacionados ao Google, ainda que indiretamente.

Mais que isso, muitos usuários foram condicionados, mediante repetição, a usar a internet do Google. Por esse referencial não deve-se entender o browser da empresa, mas sim um estilo de navegação e uma expectativa do ato de usar a internet germinados dela.

Geert Lovink, midiativista fundador do Institute of Network Cultures, conta que uma vez lhe contaram, ludicamente: “Nem uso mais internet, uso o Google.”[3] Pode-se estender: não ver vídeos na internet, ver Youtube.

A dependência dos usuários se dá por uma subreptícia associação entre o produto (Google) e a plataforma (internet): ocorre uma imbricação das partes. O mais interessante, contudo, é como a empresa capta o gosto dos usuários de modo a realizar essa associação.

O exame da publicidade

A forma mais primitiva para se saber o que alguém quer é perguntando à pessoa. As respostas são virtualmente infinitas, dada a inespecificidade do questionamento. Já ao delimitar as opções em A e B, há ao mesmo tempo uma cobrança coercitiva e uma resposta mais objetiva.

Tem-se assim um recurso de extrema valia quando da concepção do produto para venda: a avaliação espontânea por parte de testadores. A pergunta “A ou B” é feita a pessoas sem ligação ao produto, de modo a mensurar o gosto de um possível público consumidor. Nada mais do que um exame remunerado.

Michel Foucault tratou da questão do exame em Vigiar e Punir. Verticalizando historicamente os conceitos de acompanhamento médico e prova escolar, entre outros, coloca:

“O exame combina as técnicas da hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza. É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar e punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são disciplinados e sancionados.”[4]

Associando-se os dois exame expostos, é difícil achar uma paralelo num primeiro momento. Principalmente, o exame de teste de produto parece carecer de punição, uma vez que não pressupõe certo ou errado. Isso ocorre porque o exame é direcionado ao produto, e não ao testador.

A punição ao testador caso ele não escolha o produto idealizado não é interessante por um único fator: ele é um consumidor em potencial. Assim, uma crítica perspicaz ao produto pode ser melhor recebida pelos idealizadores da venda do que uma aceitação tácita.

É forçoso fazer essa ênfase pois a incorporação, por parte do marketing, do exame descrito por Foucault é preciso nos outros componentes: a vigilância e a classificação.

O Google e as Webs

Atuante desde 1998, o Google atingiu sucesso na internet usando um tipo especial de processo iterativo, que pode ser chamado de web 3.0, a rede semântica.

Se a web 1.0 cresceu com a tentativa e erro, a web 2.0 aprendeu que pode-se monetizar e explorar conteúdos feitos e enviados pelos usuários, estes voluntariando-se para emitir conteúdo.

A web 3.0 demonstra que é possível categorizar os usuários-consumidores mediante vigilância contínua. Ela funciona tecendo relações automáticas por meio de dados previamente coletados. Como resultado é capaz de produzir o que pode ser chamado de publicidade 3.0: publicidade automaticamente indexada, com valor semântico artificialmente construído mas, ainda assim, coerente.

Se um usuário digita na pesquisa do Google, por exemplo, “apartamento venda centro São Paulo”, duas coisas ocorrerão: em primeiro lugar, sites pertinentes à busca serão sugeridos para acesso e, também, ficará armazenado que esse usuário em especial procurou esses sites. Desse modo, é provável que no próximo acesso ao serviço de e-mail do próprio Google o usuário veja links de publicidade sobre venda de apartamentos no centro de São Paulo.

A situação é ambígua (ou ao menos deveria ser). De um lado, temos a facilidade de um serviço que alia nossas necessidades a anunciantes que as oferecem. Do outro, temos o mesmo serviço, mas que registra cada ação nossa de forma a tecer relação mais ou menos artificiais que nos representam como potenciais consumidores.

O exame foucaultiano e as Webs

Pensando-se na relação entre os três ítens do exame foucaultiano e o modelo de publicidade do Google:

1)“O exame inverte a economia da visibildade no exercício do poder”. Foucault descreveu uma inversão das atenções, dos detentores do poder aos submissos. Em tempos de Indústria Cultural do século XXI, os consumidores-submissos propõem-se a se expôr. Na televisão, Big Brother, na internet, Orkut e Youtube: a Web 2.0;

2)“O exame faz também a individualidade entrar num campo documentário”. O uso da web semântica faz este serviço com maestria, porque não só há um arquivamente contínuo e automático, como também é codificado e armazenado digitalmente;

3)“O exame, cercado de todas as suas técnicas documentárias, faz de cada indivíduo um ‘caso’”. Tem-se aí combinadas as lógicas da web 1.0, 2.0 e 3.0. Primeiramente, o usuário faz uma conta no Google, comunicando-se pela internet 1.0. Depois, emite conteúdo em um site 2.0 como o youtube. Concomitantemente, esse conteúdo é arquivado e analizado, resultando em propagandas 3.0. A chave, novamente, está no ato voluntário de exposição, encorajado desde a web 2.0.

Contrapontos polêmicos

Um exemplo eminentemente prático e curioso, embora faltoso em matéria de respeito, foi um fato ocorrido em fevereiro de 2008[5]. Ideal para explicar o funcionamento da teia de relações artificiais do site de procura, também é um indicador do poder de manipulação de baixo para cima: um modo de enganar o próprio sistema do Google.

Usuários organizados, em número razoável, forçaram a associação entre os termos de procura “Atriz gorda” e “Preta Gil”, por meio de esperto uso da ferramenta de relacões automáticas. A insistência não tardou a juntar semanticamente, no site de procura, os dois binômios. Desse modo, ao se buscar “Atriz gorda”, o site sugeria que se tentasse a procura por “Preta Gil”.

Em maio de 2009, iniciativa parecida acometeu o site Youtube português[6]. Dessa vez a associação foi entre vídeos pornôs e o nome Hannah Montana, da cantora adolescente. Novamente controverso, tem validade no que toca ao lembrete de que nenhum filtro virtual é infalível.

Conclusão

No Panóptico de Jeremy Bentham, descrito por Foucault:

“O dispositivo panóptico organiza unidades especiais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e suprimem-se as outras duas. (…) A visibilidade é uma armadilha.”[7]

Enquanto a web 2.0 incentivou tanto o exibicionismo como o voeyurismo, a publicidade 3.0 está conseguindo fomentar um panoptismo digital ao contrário, em que as três funções – trancar, privar de luz e esconder – são invertidas – se soltar, se iluminar e se mostrar.

Como já comentado, temos, de um lado, um relatório recortado, mas consistente, de nossa individualidade. Por meio desse currículo estendido nos expomos

Em oposição, esse ajuntamento de bytes não está na posse do usuário. Um perfil do Orkut pode ter restrições de acesso a outros usuários, mas não ao Google. O mesmo vale para cada vídeo mandado ao Youtube, cada pesquisa feita no site principal e cada uso de sites relacionados à empresa.


[1] Disponível em http://www.google.com.br/privacypolicy.html#information. Acesso em 07/06/2009

[2] CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

[3] Fala da palestra “Estamos Preparados para o Público 2.0?” proferida em 14/04/2009, na PUC-SP. Disponível em http://www.youtube.com/view_play_list?p=3CB8FC4404A6528F

[4] [4] FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Versão fotocopiada dos capítulos dois e três, p. 154

[5] Matéria disponível em http://www.mundodastribos.com/atriz-gorda-preta-gil-denuncia-o-google.html. Acesso em 08/06/2009

[6] Matéria disponível em http://aeiou.visao.pt/videos-porno-invadem-youtube=f509635

[7] FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Versão fotocopiada do capítulo dois, p. 164

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Programa de rádio – Algumas matérias do Especial Meio Ambiente, junho de 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Invetimento em energia renóvavel

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revela que o mundo investiu US$ 155 bilhões, o equivalente a mais de R$ 310 bilhões, em energia renovável no ano passado.

A maior parte dos investimentos se deu no Brasil e na China.

De acordo com o documento “Tendências Globais de Investimentos em Energias Sustentáveis 2009″, o montante representa mais da metade dos US$ 250 bilhões do setor tradicional de energia no mesmo período.

Os Estados Unidos registraram uma queda de 2% nos investimentos, enquanto o crescimento na Europa desacelerou.

Os maiores investimentos estão ocorrendo na área de biocombustíveis, energia eólica e solar.

De acordo com o relatório, o Brasil é o maior mercado mundial de energias renováveis. Cerca de 46% de toda a energia consumida no país é proveniente de fontes limpas. E 90% dos carros produzidos hoje no Brasil são flex, podendo rodar com gasolina ou álcool.

A agência das Nações Unidas diz ainda que o Brasil é também o líder global no financiamento de energias limpas. Mais de 90% de novos investimentos registrados na América Latina ocorreram no país.

Semana do Meio Ambiente em SP

De 1º a 5 de junho foi comemorada a Semana do Meio Ambiente em  São Paulo. Um começo de mês que foi um lembrete aos cuidados com a Terra.

A Secretaria do Meio Ambiente promoveu eventos para a celebração.

Na segunda-feira, 1º de junho, foi inaugurado o Espaço Verde Vivo, no Jardim Botânico, zona norte de São Paulo. O Espaço é feito para crianças de 8 a 10 aprenderem a cuidar do meio ambiente de forma lúdica, sendo voltado a excursões escolares, e faz parte do Programa Criança Ecológica.

No dia 2 de junho, terça-feira, foi lançado o Pacto das Águas, em Bocaina, interior de São Paulo. 265 líderes municiapis assinaram o tratado. O objetivo era ultrapassar os 250 governadores locais, entre eles presidentes, que ratificaram o “Consenso da Água”, criado na Turquia em março, durante o 5º Fórum Mundial da Água.

A quarta-feira, dia 3,  foi o chamado “dia dos convênios”. Xico Graziano, secretário do Meio Ambiente, firmou parcerias institucionais para preservação e incentivo turístico aos parques de São Paulo.

Ainda no dia 3, em Campinas, Ribeirão Preto e Valinhos foi firmado um convênio que prevê que as próprias cidades sejam fiscalizadora de seus projetos locais. O acordo foi feito com a A CETESB, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, que defende que os processos serão agilizados.

No dia 4 de junho o Programa Criança Ecológica foi inaugurado nas cidades de Ribeirão Preto e Sorocaba.
A sexta-feira, dia 5, foi o último dia da Semana do Meio Ambiente. Na data, que comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, foi assinada a Lei de Proteção do Cerrado Paulista. Com ela, a utilização e preservação do bioma ficam mais controladas.

Minc diz haver uma “ofensiva conservadora” contra o Meio Ambiente

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, deu entrevista às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, em Brasília. Nela, protestou o que chamou de “’estupro’ na legislação ambiental”.

O DNIT e Medidas Provisórias foram citadas como fonte de preocupação.

O DNIT, Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, foi acusado por Minc de arranjo com deputados.

O problema seria o licenciamento por decurso de prazo, que valida automaticamente obras depois de um certo período de tempo. Nas palavras do ministro, a situação seria um “verdadeiro Frankenstein”.

A MP 452 sugere que somente entidades responsáveis pelo licenciamento possam realizar fiscalização ambiental. Elas teriam poder de embargo para áreas reprovadas na supervisão. Parlamentares, porém, propõem a flexibilização dessas regras.

Mudanças na MP poderiam, segundo o ministro, engessar “a fiscalização e o controle do desmatamento, abrindo caminho para o aumento da degradação da Amazônia.”

A MP 458, a chamada MP da Amazônia, também foi citada por Minc.

A MP simplifica o processo de regularização fundiária da Amazônia Legal, permitindo a transferência de terras da União, de até 1,5 mil hectares, a ocupantes da região, sem necessidade de licitação.

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Resumo da Iniciação Científica

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Realizada entre 2008 e 2009

Indústria Cultural e as novas Mídias: o papel do usuário na colaboração artística virtual – um estudo de caso

Prof. Dr. José Salvador Faro – ORIENTADOR

Carlos Costa Xavier de Oliveira – ORIENTANDO

Curso de Jornalismo – Faculdade de Comunicação e Filosofia

A expansão do meio internet se faz visível tanto no âmbito sócio-geográfico como no cultural. No Brasil e no mundo, a rede mundial de computadores dispõe cada vez mais de ferramentas que potencializam a troca de informações, em tempo real, entre usuários do mundo inteiro. Visto tal capacidade, essa pesquisa buscou analisar o papel do usuário nos projetos artísticos virtuais – ele é um participante ativo na construção de conteúdo ou está fadado a ser um observador passivo? Ele colabora com projetos artísticos, fazendo uso de todos os recursos da rede, ou somente assiste a esses projetos? Mediante resgate de leituras teóricas –  de Adorno e Castells a Mattelart – foi possível definir ecategorizar os elementos da pesquisa e, aproveitando-se de dados estatísticos, incluindo-se coleta original de dados, essas formalizações foram anallisadas e contextualizadas. O site Youtube, atualmente o maior endereço eletrônico de vídeos, foi eleito como objeto de estudo e verificou-se que a participação efetiva dos usuários na colaboração virtual é muito baixa. Buscando explicar essa taxa reduzida, a pesquisa canalizou diversos trabalhos e dados e verificou: efetivamente, o aproveitamento de recursos da internet está sujeito ao histórico sócio-econômico do usuário. PIBIC-CNPq

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A crítica da mídia no Brasil, maio de 2009

Publicado por Carlos em Julho 10, 2009

Ideias recolhidas em apresentação-palestra de Eugênio Bucci

A mídia brasileira, a obrigatoriedade do diploma, os grandes pólos comunicacionais e o como construir uma crítica consistente foram pauta de conversa com Eugênio Bucci, jornalista, no dia 22 de abril de 2009.

Formar uma crítica coerente e madura do atual cenário da comunicação brasileira requer a proposição de alternativas, do contrário a crítica não pode evoluir para mudança. É no que acredita Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007 e atual professor da USP. Um passo positivo no sentido dessa contraposição seria despersonalizar pessoas e entidades (tais como donos de grandes emissoras e redações) como mantenedores estritos de uma ordem social injusta.

Bucci crê, para além da inviabilidade de culpa de agentes isolados, que os monopólios no setor da comunicação se devem a falta de leis e fiscalização. Faltas essas que abrangem a indefinição do tamanha máximo de oligopólios na Constituição nacional.

A dinâmica entre a atividade jornalística e a assessoria de imprensa – dinâmica esta especialmente rica no Brasil – traz à pauta também o debate sobre a obrigatoriedade do diploma para o curso de Jornalismo (exclusividade do país).

O professor não credita mais ou menos dignidade a nenhuma das duas profissões. Por outro lado, é mais assertivo quanto à exigência do documento: para Bucci o  que importa, de fato, seja na discussão da obrigatoriedade, seja num debate mais amplo, é a qualidade (ou falta de) das graduações em Jornalismo. Desse modo, a discussão sobre a obrigatoriedade (que é, no limite, binária: sim ou não) seria menos importante do que a avaliação da qualidade da formação em si: “como estão sendo formados os futuros jornalistas” ao invés de “eles terão diploma?”.

Sobre a relação mídia-Estado, Eugênio Bucci é categórico: acredita que o último não deveria, em hipótese alguma, servir-se de serviços de anúncio. O professor também lembrou temas clássicos, mas nunca desinteressantes, no debate sobre a profissão. Ele retomou a volatilidade do conceito de verdade na profissão, não esquecendo que o que nós jornalista dizemos ser a verdade muitas vezes está atrelado a uma conjuntura específica.

Publicado em 2009, Critica da Imprensa, Faculdade, Mídia Impressa | Com as tags : , | Deixar um Comentário »

 
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